Pontos que mais impactaram do livro “Filosofia da caixa preta”

        Para Flusser, o homem, que criou as imagens como forma de representar o mundo, como um “mapa” e instrumento de conhecimento,  passa a vê-las como próprio mundo, vivendo em função dessas. Como forma de superar tal idolatria, surge a escrita, que descreve as imagens alinhando os elementos imaginísticos. Entretanto, há um novo problema, a escrita tem a possibilidade de abstrair todas as dimensões do mundo, menos a conceituação, o que afasta o homem, ainda mais, da realidade, já afastada pela idolatria.

       Para ultrapassar os textos, surge as imagens técnicas, produzidas por aparelhos, as quais imaginam textos que concebem imagens que imaginam o mundo. Como precursora desse tipo de imagem, há a fotografia, produto das máquinas fotográficas, que são programadas por indústrias para um número imenso de potencialidades fotográficas. Assim, segundo o autor, esgotar essas potencialidades do aparelho e gerar cada vez mais produtos caracteriza o trabalho do fotógrafo. A partir disso, Flusser faz o principal questionamento do texto, quem domina quem? O homem domina a máquina ou a máquina é programada para dominar o homem? 

     Com a facilidade da fotografia, há a banalização dessa, de forma que as pessoas se viciem em tirar fotos de forma aleatória, sem ter uma visão crítica e controle dessas, esquecendo seu real objetivo e significado, impedindo seu deciframento. Os aparelhos programam a sociedade para um comportamento propício para o seu continuo aperfeiçoamento. O homem se aprisiona na “caixa preta” e, alienado, não consegue mais olhar o mundo fora das lentes. Contra essa automação, lutam alguns fotógrafos ao tentarem inserir intenções humanas nesse jogo. 

     Portanto, a filosofia da fotografia seria essencial e urgente para desmascarar esse jogo e, finalmente, proporcionar liberdade ao homem. Por meio da conscientização da realidade e da renovação da fotografia, indo contra a industria do aparelho fotográfico, o ser humano atinge um certo controle sobre si mesmo e sobre o ato fotográfico, se libertando. 







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